A3 DIGITAL

A3 BLOG

Carreira: o que muda com a indústria 4.0?

Publicado em 20/12/2018

Pesquisa recente realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e organização Latinobarómetro revela que 62% dos brasileiros que trabalham na  indústria de manufatura temem perder seus empregos para robôs no prazo de dez anos. Em outros países, a preocupação com os impactos da quarta revolução industrial no mercado de trabalho também é generalizada. Há estudos, como o da consultoria americana McKinsey, que projetam prejuízo de mais de 50 milhões de empregos nos próximos anos.

Mas isso não é motivo para desespero. Nas revoluções anteriores também houve especulações sobre a redução de postos de trabalho, mas o que ocorreu foi uma transformação das atividades. Muitas foram substituídas por outras que exigem maior qualificação e menor esforço. Por isso, diante deste novo desafio profissional, é preciso dar prioridade ao desenvolvimento das habilidades para o trabalho do futuro. Isso significa que a corrida pelo conhecimento para níveis mais qualificados começa agora.

Os cargos de CEOs e diretores de tecnologia, por exemplo, são alguns dos que já atravessam mudanças em função dos processos de transformação e adoção de práticas da indústria 4.0. As áreas de marketing, recursos humanos e finanças também precisam transmutar para atender às necessidades deste novo modelo. Na conjuntura contemporânea, os profissionais que se destacam são aqueles que sabem administrar mudanças, pois as empresas querem executivos capazes de liderar uma transformação digital e de pensar em termos de inovação.

Levantamento feito pela Association of Executive Search and Leadership Consultants (Aesc) com mais de 800 altos executivos ao redor do mundo, que incluiu o Brasil, apontou que as habilidades que eles acreditam que diferenciam gestores hoje em dia são pensamento estratégico (69%), ser capaz de inspirar e engajar pessoas (63%), inteligência emocional (61%), adaptabilidade (59%) e, em menor número, capacidade de aprendizado contínuo (44%).

E se engana quem pensa que a indústria 4.0 é assunto a ser pensado em um futuro distante. Pelo contrário, já está acontecendo em larga escala e a toda velocidade no mundo todo. Passada a fase mais crítica da crise econômica no Brasil, empresas já colocam em ação seus planos para se adequarem a essa realidade global. Analistas e governo estimam que o ano de 2019 será decisivo para arrancada da indústria brasileira para a transformação digital. 

Hoje, menos de 2% das empresas estão inseridas nesse contexto, segundo a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ligada ao Ministério da Indústria e Comércio (Mdic). Mas a expectativa é que, em dez anos, 15% das indústrias no País atuem no conceito da indústria 4.0, no qual as chamadas “fábricas inteligentes” são guiadas por nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D. 

Na prática, isso se traduz em aumento da produtividade, maior controle de qualidade, customização, diminuição dos custos de produção, melhor monitoramento da segurança e amortização de erros. As mudanças são inúmeras e devem afetar diretamente o mercado de trabalho podendo extinguir algumas funções, exigir aprimoramentos em determinadas carreiras e fazer surgir novas profissões. Nessa perspectiva, uma coisa é certa: o processo de transformação só beneficiará quem for capaz de inovar e se adaptar.  

 

Alessandra Luzine 

Psicóloga, especialista em Gestão de Pessoas e Negócios e CEO da A3 Consultoria