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As três inteligências para o bom desempenho: emocional, social e cognitiva

Publicado em 25/09/2020

Descubra a relação das suas emoções com o seu desempenho.

 

O ser humano conta com uma gama imensa de sentimentos, partindo dos mais básicos como a felicidade, a tristeza e a raiva, até outros mais complexos. Considerando a variedade de pessoas e situações do nosso dia a dia, não é de se surpreender que durante a nossa jornada de trabalho vários desses sentimentos se façam presentes e contribuam para sermos assertivos ou não.

Saber lidar com diferentes pessoas, ouvindo e se colocando no lugar do outro, trabalhar em equipe na resolução de problemas e ter um bom relacionamento interpessoal são características essenciais para o crescimento profissional. Para isso, três competências são essenciais: inteligência emocional, inteligência social e inteligência cognitiva.

Se somos criaturas emotivas, como fazer para expor nossas emoções da melhor maneira? É possível controlar esses sentimentos e impulsos?

Sabe aqueles momentos que você tem um problema com um cliente delicado? Ou então quando um projeto que você está desenvolvendo é barrado? Ou talvez aqueles dias que seu chefe acordou com o pé esquerdo?

Quando falamos do ângulo biológico, não podemos evitar que nossa primeira reação a qualquer um desses eventos seja emocional. Afinal, vivenciamos as experiências através das emoções antes da razão entrar em ação.

No entanto, o que nós podemos fazer é ter controle na maneira como reagimos a essas emoções e é exatamente esse um dos aspectos que a inteligência emocional se propõe a desenvolver.

A inteligência emocional

A inteligência emocional surgiu nos anos 90 e atualmente pode ser entendida como a capacidade de harmonizar pensamento e emoção.

Em outras palavras, é a habilidade de compreender e ter controle sobre as próprias emoções e também reconhecer e administrar as das outras pessoas, o que Goleman (2001) divide em competências pessoais e sociais. O primeiro grupo se relaciona com a nossa capacidade de gerenciar nossas emoções e nosso comportamento e o segundo com a maneira pela qual lidamos com nossos relacionamentos no reconhecimento das emoções e motivações dos outros. Esta trilha pode te ajudar a refletir de forma lúdica sobre as quatro competências da inteligência emocional.

Conhecer nossas emoções e reações em diversas situações nos possibilita entender o que fazemos bem, o que nos motiva e o que pode nos trazer reações intensas.

Esse autoconhecimento nos permite aplicar nossos pontos fortes nas atividades apropriadas, além de impedir que as emoções nos atrapalhem. Por meio dessa autogestão, conseguimos direcionar nosso comportamento de maneira positiva assim como avaliar as situações sem cedermos às tentações.

A partir do desenvolvimento da observação, a consciência social nos permite reconhecer as emoções dos outros e entender a maneira como as pessoas reagem às diferentes situações do dia a dia, blindando-nos no trato com aquele cliente mais exigente ou com o chefe complicado, por exemplo. Isso nos auxilia na gestão dos nossos relacionamentos, levando a uma comunicação clara e eficaz e na evolução de vínculos para relações de mais qualidade.

Compreendendo melhor o que é a inteligência emocional, naturalmente entendemos a sua grande importância para qualquer profissional independentemente da sua posição.

A inteligência social

Goleman (2006) destaca que não há como separar as emoções dos nossos relacionamentos. Para ele, as emoções são sociais porque são as nossas interações sociais que as impulsionam. 

A inteligência social pode então ser definida como as habilidades que o indivíduo desenvolve quando se envolve em um relacionamento.

O autor define duas categorias para a inteligência social: a consciência social que se destaca como o que sentimos em relação ao outro e a facilidade social como o que fazemos de posse dessa consciência. Ou seja, não basta apenas reconhecer o outro tentando entender o que ele sente ou pensa, mas é necessário utilizar dessas informações para agir efetivamente no seu relacionamento com ele. 

Equipes divididas por projetos, diversidade, trabalho cooperativo são temas bastante discutidos e realidade de muitas empresas. Pode-se perceber que estão totalmente associados às relações/interações dos profissionais, por isso, não tem como pensar nessas pautas e não considerar a relevância da habilidade de relacionamento interpessoal.

Percebe-se então a importância da gestão dos seus relacionamentos para lidar com as suas próprias emoções, para a construção de interações positivas e o quanto pode influenciar no seu desempenho, dos seus colegas e da própria empresa.

O caso de Aline…

Ninguém sabia o que Aline estava passando. Nem ela sabia, apenas reagia. Mas o que todos sabiam é que ela havia mudado. Aline se destacava em seu trabalho pela motivação, simpatia, dedicação e bons resultados que agregava à sua área.

O reconhecimento profissional e o alcance de metas não eram sorte, e sim resultado de muita dedicação e bom desempenho. Entretanto, nos últimos meses foi possível notar uma mudança abrupta no cenário – queda significativa nas vendas e comissionamento, redução de colaboradores e acúmulo de dívidas. Para piorar, Aline recebeu a notícia que o irmão teria que ser internado, pois seu estado de saúde era grave.

Aline começou a sentir insegurança, medo e ansiedade, entretanto optou por não compartilhar sua experiência pessoal no ambiente de trabalho, pois logo “tudo isso iria passar”. Entretanto, passou a se mostrar irritada e impaciente com a equipe e supervisora, esquecia-se de executar algumas entregas, suas ausências aumentaram e, na tentativa de finalizar logo suas obrigações para visitar o irmão hospitalizado, acabava cometendo erros.

Durante o intervalo do trabalho, percebeu que duas colegas estavam conversando sobre o seu comportamento. Quando ouviu ficou sem entender, se sentiu furiosa, mas depois começou a refletir sobre o que estava passando...Veja se você se identifica com alguns destes outros cases.

As três inteligências: Emocional, Social e Cognitiva

O caso de Aline, embora fictício, se assemelha a casos reais e atuais. Demonstra como as competências: Inteligência Emocional, Inteligência Social e Inteligência Cognitiva se integram e influenciam o desempenho pessoal e profissional. Quais são as competências essenciais para lidar com momentos de incerteza e volatilidade? 

A Inteligência Emocional e a Inteligência Social se relacionam com a capacidade do indivíduo em perceber, compreender e administrar suas emoções e sentimentos sobre si mesmo (IE) e sobre os outros (IS).

Os colegas de Aline demonstraram certo nível de inteligência social já que perceberam uma mudança em relação ao seu comportamento, porém não transformaram essa percepção em ação estratégica para ajudá-la.

Um olhar mais empático para primeiro entender o cenário pelo qual Aline estava passando; buscar estratégias de ação para ajudá-la a lidar com a situação; ou simplesmente uma escuta ativa que pudesse apoiá-la naquele momento seriam possíveis ações relacionadas à inteligência social.

O caso de Aline faz-nos perceber que as nossas emoções estão totalmente relacionadas com o nosso desempenho cognitivo. Insegurança, medo e ansiedade mal administrados ou desconsiderados podem afetar o desempenho profissional e social, além da própria saúde do indivíduo.

A Inteligência Cognitiva reflete a capacidade do indivíduo em “pensar e analisar a informação e a situação que leva a um desempenho efetivo ou superior, caracterizado pela rapidez com que se chega a uma solução e a criatividade para resolver o problema”.

É comum que cenários de crise e incerteza, assim como os vivenciados por Aline, influenciem o equilíbrio entre estas competências, o que pode gerar prejuízos para a saúde mental do indivíduo.

O que a sua empresa ou você enquanto líder está fazendo para contribuir emocional e psicologicamente com a sua equipe?

As três competências e a sua relação com o desempenho

Um profissional que se conhece consegue entender com clareza seu papel dentro da organização, além de compreender suas fortalezas e os seus pontos de melhoria. Com isso, recebe com maior tranquilidade os feedbacks e reage melhor às situações difíceis, mantendo-se centrado, não sendo levado por impulsos e entregando melhores resultados.

Desenvolvendo essas três competências, o profissional torna-se mais apto à tomada de decisão, justamente por não ser facilmente guiado pela intuição. Isso reflete a importância de repensar o que ele já sabe reconhecendo os preconceitos e vieses inconscientes no cotidiano. 

Também tem maior facilidade de se destacar e engajar as pessoas ao seu redor para seus projetos ao desenvolver os seus relacionamentos.

Estar sujeito às emoções no ambiente de trabalho é natural a todos. Como cada um nota e reage a isso, essa sim é a grande questão. Desenvolver essas três competências traz grandes resultados pessoais e é também um grande diferencial para o profissional que busca se destacar e alcançar seus objetivos.